Vendo postagens com a TAG Ângelo Monteiro
Postado por IOC
em Quarta, 18 de Abril de 2012
em Notícias
Ir a um enterro nos traz a lembrança da nossa mortal condição: sobretudo quando esse enterro é de alguém que fez parte de nossa vida e com ele também se vai um privilegiado momento da nossa memória existencial. A morte de Dário Lopes de Melo, depois de uma longa e terrível enfermidade, me ajuda a evocar, com o poder e a graça de um paradoxo, o orador eloquente que vim a conhecer ainda na adolescência, talhado talvez para os sermões de pastor batista, a confissão religiosa de sua família, porém que terminou, de maneira vitoriosa, – ele que seria um futuro procurador estadual – como o primeiro advogado formado do pequeno burgo interiorano que era Gravatá na década de 60. Assim como foi uma pessoa entusiasta, em seus transportes quer como orador, quer como amigo, nunca lhe faltaram as mais firmes convicções cristãs, e essa fé não parou de crescer até os últimos dias de sua via dolorosa, por acreditar com o Evangelho de João (3:36) que "quem crê no Filho de Deus tem a vida eterna".
Postado por IOC
em Sexta, 13 de Abril de 2012
em Notícias
O título do livro de Samarone Lima, Viagem ao crepúsculo é muito especial para refletir uma visão tão tenebrosa como a que obteve assim que aportou na ilha de Fidel. Às vezes seu texto, cheio de sabor jornalístico, ganha caráter ficcional quando, ao ocultar, por medida de proteção, a identidade dos personagens, apela para achados instantâneos expressivos, como o de transformar um funcionário aduaneiro com cara de rato em Camundongo. Samarone Lima fez essa viagem movido por um sonho fantasioso de adolescência: o de conhecer Cuba e seu regime político, idealizado por tantos, para verificar até que ponto um sonho revolucionário consegue sempre, sempre antecipar um pesadelo que se quer, à força, escamotear perante o olhar iludido dos incautos.
Postado por IOC
em Terça, 03 de Abril de 2012
em Textos
A breve e límpida apresentação de Fábio de Andrade ao segundo livro de Bernardo Souto, Teatro de sombras consegue destacar dois elementos implicados em sua poética: uma língua de sombra a perpassar esse teatro, oculta no silêncio por trás das palavras, e a distinção fundamental entre esse dizer instantâneo, próprio da poesia, e um certo minimalismo em moda, de que serve de exemplo o pífio poema-piada. O poeta não esquece, para isso, o vaticínio da serpente, nietzschianamente presente no seu retorno à terra, e daí não se negar à sua lição:
Aprende o voo-flecha do peixe
e vislumbrarás o eterno.
Postado por IOC
em Terça, 06 de Março de 2012
em Textos
Ela não é a Heloísa de Abelardo, nem a Nova Heloísa de Rousseau, mas a Heloísa enguirlandada de ramos: de ramos cheios de promessas por uma vida melhor. Por uma vida melhor, é justamente o título do livro da ilustre mestra de uma das nossas universidades públicas. Seria o caso de se perguntar: em que consiste semelhante vida? E saberíamos, então, que ela só poderia consistir em atender, igualmente, da maneira mais larga possível, as demandas do conhecimento e as da ignorância, no domínio da língua portuguesa.
Postado por IOC
em Terça, 28 de Fevereiro de 2012
em Textos
A poetisa amiga Sônia Gonçalves me telefona, em uma certa noite, para me falar de um soneto anônimo espanhol, durante muito tempo atribuído a Santa Teresa D’Ávila — que ela passou a associar à minha lembrança, por eu costumar recitá-lo quando nos víamos — e que assim se inicia na maravilhosa tradução de Manuel Bandeira:
Não me move, meu Deus, para querer-te
o céu que me hás um dia prometido:
e nem me move o inferno tão temido
para deixar por isso de ofender-te.
Postado por IOC
em Terça, 14 de Fevereiro de 2012
em Textos
O romance inédito de Admaldo Matos de Assis, Terras adormecidas, vale principalmente, ao lado de outras qualidades expressivas, por sua capacidade de reconstituição de um tempo em pequeno burgo interiorano: as duas primeiras décadas da segunda metade do século XX. Era também o tempo em que nossa infância e nossa adolescência, do meio dia à hora do Angelus, praticamente se deixavam reger pelo toque dos sinos. Estávamos — não nos esqueçamos — sob o pontificado de Pio XII, o Papa Angélico, ainda distantes dos primeiros albores do Concílio Vaticano II.
Postado por IOC
em Sábado, 04 de Fevereiro de 2012
em Textos

"A verdade profunda do 'Tratado da Lavação da Burra' nunca foi tão visível. […] Em outras épocas, sua verdade temível podia ser tergiversada, descontada como exagero de satirista, atenuada por uma multidão de subterfúgios. Hoje, não há como escapar dela."
(Olavo de Carvalho)
O IOC tem a satisfação de publicar o estudo de Ângelo Monteiro que é, segundo Olavo de Carvalho, "talvez a mais dramática tentativa que alguém já fez para oferecer à pergunta ‘Que é ser Brasileiro?’ uma resposta ontologicamente significativa." Leitura obrigatória a todos os membros do Instituto, o Tratado da Lavação da Burra é agora disponibilizado a todos os amigos do IOC, pela primeira vez na internet, com a autorização do autor.
Postado por IOC
em Terça, 31 de Janeiro de 2012
em Textos
Somente com a morte do grande guia Kim Jong-il e seu interminável funeral é que poderíamos visualizar a verdadeira dimensão de uma ideologia em seu caráter principalmente mortal. Nada mais patético de que o pranto de uma multidão ante a morte de um sinistro e sanguinolento ditador: é como se todos fossem compelidos, além de suportar seu terrível tipo de vida, a se sujeitar a tal morte para readquirir a própria sobrevivência. Ou como se o inferno estivesse chorando a despedida de Satanás por temer sua ainda mais perigosa ressurreição: no caso a substituição de Kim Jong-il por Kim Jong-un.
Postado por IOC
em Segunda, 09 de Janeiro de 2012
em Textos
Todos somos passageiros, tanto no sentido de estarmos de passagem, quanto no de um dia desaparecermos literalmente. Apesar de a noção de progresso permear, na atmosfera contemporânea, todas as relações, quer físicas, quer mentais, entre as coisas, nunca se observa devidamente o caráter de recapitulação presente em todas as passagens de ano.
A força dos ritos de renovação, em sua exemplaridade, faz de cada ano que passa um abismo que se fecha e de cada novo ano uma montanha que se ergue ante os nossos olhos. Ou seja: a cada ano mais velhos, enfrentamos um mundo cada vez mais novo.
Postado por IOC
em Quarta, 04 de Janeiro de 2012
em Mensagens

A função da arte é repetir Deus.
Ângelo Monteiro
Em novembro, o IOC recebeu, pela segunda vez, o poeta Ângelo Monteiro, visitante vindo do misterioso e distante país dos mitos e lendas, povoado de heróis, sábios e santos, que traz notícias desse lugar e daqueles que lá vivem, da morada do Bem, do Belo e do Verdadeiro, trindade de atributos divinos que Ângelo carrega impressa na alma.