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Ângelo Monteiro - A arte como outra forma de graça

No dia 06 de novembro de 2011, às 17h00, transmitimos um encontro com Ângelo Monteiro, no qual ele comentou falou sobre A arte como outra forma de graça, comentou seu recém-lançado livro Arte ou Desastre, além de outros temas em conversa informal. A gravação da palestra já está disponível para os associados do IOC, em nossa reformulada seção de Palestras e Eventos.

Palestra de Ângelo Monteiro

Postado por IOC em Quarta, 04 de Janeiro de 2012 em Mensagens

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A função da arte é repetir Deus.
Ângelo Monteiro

Em novembro, o IOC recebeu, pela segunda vez, o poeta Ângelo Monteiro, visitante vindo do misterioso e distante país dos mitos e lendas, povoado de heróis, sábios e santos, que traz notícias desse lugar e daqueles que lá vivem, da morada do Bem, do Belo e do Verdadeiro, trindade de atributos divinos que Ângelo carrega impressa na alma.

Ainda que o poeta não “falasse pelos cotovelos” – e, também, com eles –, sua simples presença seria suficientemente eloqüente: estar com Ângelo foi ocasião de ver a grandeza, a doçura, a humildade, a sabedoria, fazendo de sua alma uma morada de janelas abertas.

Após ter participado ativamente de uma reunião do grupo de estudos de história, de aulas de grego e português, o poeta brindou seus ouvintes com uma divertida e interessantíssima conferência, que um atraso providencial fez começar na hora do Angelus do dia 6 de novembro: A Arte como Outra Forma de Graça.

A experiência da beleza é uma necessidade que “pesa” sobre a “insuficiência ontológica” humana; a arte, um meio de realização reclamado por essa insuficiência mesma. Essa necessidade de influxos vindos dos céus é fonte de um tipo peculiar de sofrimento: o sofrimento que apresenta sempre “um sentido que escapa à nossa compreensão, a ponto de transcender toda tentativa de explicação lógica”. A sensibilidade é um delicado ponto de contato entre a realidade exterior e o universo de experiências do artista, que é movido e formado pela realidade, proporcionando-lhe a ocasião de dar à luz ao que gestou em segredo, de atualizar o virtual, de comunicar o que antes era silêncio.

Ora, Louis Lavelle explica, em Traité des Valeurs, que a vida do espírito deve deixar sua marca no mundo, ela deve exteriorizar-se. A arte é forma espiritual e matéria sensível, assim como a autêntica moralidade; assim como os atos devem ser os bons frutos que dão a conhecer um coração reto e luminoso que deve “luzir sobre os homens”, assim também a arte é testemunho de uma riqueza que deve se manifestar para que haja o “comércio entre os espíritos”, para que cada beneficiado nesse comércio possa retornar à sua vida interior mais rico, mais inteligente, mais vivo.

A oportunidade de estar com Ângelo mais uma vez, em contato com sua pessoa e sua arte, foi um desses grandes momentos de “comércio”, uma experiência da graça que ainda jorra nesse solo árido da mediocridade e malignidade que impera na desditosa cultura nacional.

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