-1
-2
![]() |
Associe-se ao IOC!Conheça os nossos modelos de associação do Instituto Olavo de Carvalho. Com o pagamento de uma mensalidade única, os alunos do IOC terão agora acesso a todos os nossos cursos e palestras, terminadas ou em andamento. Será agora possível experimentar, à distância, exatamente o mesmo modelo de vida de estudos adotado pelos membros presenciais do Instituto. Acesse nossa página de inscrições, e conheça os modelos de associação. |
![]() |
Ângelo Monteiro - A arte como outra forma de graçaNo dia 06 de novembro de 2011, às 17h00, transmitimos um encontro com Ângelo Monteiro, no qual ele comentou falou sobre A arte como outra forma de graça, comentou seu recém-lançado livro Arte ou Desastre, além de outros temas em conversa informal. A gravação da palestra já está disponível para os associados do IOC, em nossa reformulada seção de Palestras e Eventos. |
Antologia de Spoon River
La brevedad de la vida no angustia
cuando en lugar de fijarnos metas nos fijamos rumbos.
Nicolás Goméz Dávila
Spoon River Anthology, pubicado em 1915, é uma antologia de mortos, de vozes de mortos que teve como uma de suas inspirações a Antologia Grega, também conhecida como Antologia Palatina, uma coleção de poemas, na maioria epigramas, escritos em versos para serem gravados em lápides.
Spoon River [1] é o nome fictício de uma cidadezinha cujos mortos Edgar Lee Masters [2] “antologizou”, fazendo-os compor e ler os seus epitáfios; são duzentos e cinqüenta mortos falando desde suas lápides, como em minibiografias, daquilo que foi suas vidas: o que essa vida poderia ter sido, o que deveria ter sido, o que de fato foi, para o bem ou para o mal; falando de si e de seus amigos e familiares, revelando segredos que as aparências das vidas que se cruzavam escondiam.
Há ali os que viveram uma vida sábia, os que mantiveram a vida em suspenso por medo, os que se suicidaram, os que roubaram, os que traíram, os que amaram, os que se embebedaram, os que assassinaram, os que lutaram pela pátria, os que ajudaram o próximo, enfim, uma verdadeira coleção de dramas, tragédias, comédias e ironias escritos em versos, vividos por esses protagonistas mortos que falam conosco. Sim, protagonistas: pois já foi dito de Spoon River Anthology que, “como outros grandes livros de poesia, pode ser lido como uma novela; uma novela de quase duzentos e cinqüenta personagens, todos ‘principais’, e com uma trama onde até o mais trivial resulta profundamente significativo e apaixonante. Sob seu estranho título, é uma antologia de vozes mortas, onde se esconde um microcosmos de um país inteiro e, talvez, da vida em geral”. [3]
Where are Elmer, Herman, Bert, Tom and Charley,
The weak of will, the strong of arm, the clown, the boozer, the fighter?
All, all are sleeping on the hill.
One passed in a fever,
One was burned in a mine,
One was killed in a brawl,
One died in a jail,
One fell from a bridge toiling for children and wife [4]
Olavo de Carvalho diz que “a raiz de todas as tragédias humanas é a fuga da morte, porque desejamos estar vivos e felizes. Como não queremos pensar na morte, não captamos o que está morto em nós; não percebemos que a única maneira de permanecermos vivos é percebendo a morte…a vida é transformação constante, estar vivo é estar mudando e mudar é deixar uma parte morrer. A noção da morte é, então, intrínseca à noção de vida e , se fugimos da morte, acabou a vida”. [5]
Spoon River Anthology é uma obra que tem o poder de nos colocar em contato com essa realidade à qual o mundo moderno tenta se esquivar, que é a morte. Ao longo da leitura dos poemas nos compadecemos dos dramas de cada um daqueles personagens, reconhecemos a suas alegrias, as suas amarguras, os seus arrependimentos, as suas desgraças. Inevitavelmente nos perguntamos o que estaria escrito, o que diríamos desde nossas próprias lápides, pois que o livro tem também um caráter evocativo: é impossível não nos lembrarmos de nossos erros, pecados, acertos e sucessos, e pararmos de pensar somente em metas para “fixar rumos”, ou seja, é inevitável que nos perguntemos: para onde mesmo estamos indo, tenhamos a meta ou os planos que tivermos? Mais ainda: para onde mesmo queremos ir?
*
Abaixo, reproduzimos três epitáfios da obra de Masters - outros serão postados em nosso Fórum.
George Gray
I HAVE studied many times
The marble which was chiseled for me—
A boat with a furled sail at rest in a harbor.
In truth it pictures not my destination
But my life.
For love was offered me and I shrank from its disillusionment;
Sorrow knocked at my door, but I was afraid;
Ambition called to me, but I dreaded the chances.
Yet all the while I hungered for meaning in my life.
And now I know that we must lift the sail
And catch the winds of destiny
Wherever they drive the boat.
To put meaning in one’s life may end in madness,
But life without meaning is the torture
Of restlessness and vague desire—
It is a boat longing for the sea and yet afraid.
*
Davis Matlock
SUPPOSE it is nothing but the hive:
That there are drones and workers
And queens, and nothing but storing honey—
(Material things as well as culture and wisdom)—
For the next generation, this generation never living,
Except as it swarms in the sun-light of youth,
Strengthening its wings on what has been gathered,
And tasting, on the way to the hive
From the clover field, the delicate spoil.
Suppose all this, and suppose the truth:
That the nature of man is greater
Than nature’s need in the hive;
And you must bear the burden of life,
As well as the urge from your spirit’s excess—
Well, I say to live it out like a god
Sure of immortal life, though you are in doubt,
Is the way to live it.
If that doesn’t make God proud of you
Then God is nothing but gravitation
Or sleep is the golden goal.
*
Lucinda Matlock
I WENT to the dances at Chandlerville,
And played snap-out at Winchester.
One time we changed partners,
Driving home in the moonlight of middle June,
And then I found Davis.
We were married and lived together for seventy years,
Enjoying, working, raising the twelve children,
Eight of whom we lost
Ere I had reached the age of sixty.
I spun,
I wove,
I kept the house,
I nursed the sick,
I made the garden, and for holiday
Rambled over the fields where sang the larks,
And by Spoon River gathering many a shell,
And many a flower and medicinal weed—
Shouting to the wooded hills, singing to the green valleys.
At ninety—six I had lived enough, that is all,
And passed to a sweet repose.
What is this I hear of sorrow and weariness,
Anger, discontent and drooping hopes?
Degenerate sons and daughters,
Life is too strong for you—
It takes life to love Life.
*
Notas
[1] O rio Spoon serpenteia por uma vasta planície no estado de Illinois, EUA, e ganhou notoriedade ao emprestar seu nome à cidade fictícia que abrigou os personagens criados por Lee Masters, que viveu em Petersburg e Lewinston, vilarejos banhados pelo rio.
[2] Edgar Lee Masters nasceu em Garnett, Kansas, em 1868. Viveu em pequenas cidades banhadas pelo rio Spoon, onde, trabalhando como jornalista, conheceu histórias de vidas que viriam inspirar a redação de sua famosa Antologia, a qual foi calorosamente recebida por nomes como Ezra Pound. Inspirada na Antologia Palatina, coleção de epigramas escritas entre os séculos VII a.C. e VI d.C. e coligidos no século X por um literato anônimo de Bizâncio, a obra exala o espírito modernista da revista Poetry, fundada no início dos anos 1910, na qual colaboravam o próprio Pound, T.S. Eliot e Robert Frost. Masters morreu em 1950, na Pensilvânia.
[3] Jesús López Pacheco, no prefácio à edição espanhola da Antologia.
[4] Trecho de The Hill, poema que abre o livro.
[5] Aula sobre Fedra, de Racine, Introdução à Vida Intelectual, 19 de outubro de 1991.
Comentários
Agenda IOC
Estudos literários
19:30 - Sede do IOC
Estudos literários da obra de Georges Bernanos
Grupo de Estudos
21:00 - Transmissão para associados
Clique para assistir
Estudos literários
16:00 - Sede do IOC
Estudos literários da obra de Camilo Castelo Branco
Estudos literários
19:30 - Sede do IOC
Estudos literários da obra de José Geraldo Vieira.
Grupo de Estudos - IOC
21:00 - Transmissão para Associados
21:00 – 22:30: História do Séc. XX. Igreja e Movimento Revolucionário.
22:30 – 00:00: Estudos Luso-Brasileiros.
Clique para assistir
Veja o calendário completo de eventos do IOC em nossa página do Facebook.
Cursos em Andamento
| Latim e Cultura Latina |
| Grego Clássico |
| Português |
| Oficina de Literatura |
Cursos Completos
| História da Filosofia |
| História Medieval |
| Literatura |
| Música e Arte |
| Idiomas |
PUBLICAÇÃO ESPECIAL - MONTEIRO, Ângelo – Tratado da Lavação da Burra
Estudos Luso-Brasileiros - O Patriarca e o Bacharel, de Luís Martins
Grupo de Estudos - Charles Maurras e a Ação Francesa
"O elemento estrutural do cosmos, e a realidade fundamental da nossa experiência, chama-se alma imortal humana. Essa é nossa verdadeira constituição e verdadeira realidade. Somos almas imortais, e é só isso que somos."







